Hoje acordei e percebi que precisava terminar uma coisa.
Que não poderia continuar me prendendo a esse nada, que é o que você tem a me oferecer.
Na verdade também não há nada de concreto que eu possa lhe oferecer, então não lhe culpo.
Aliás não tem culpados aqui.
A vida só está seguindo o caminho que deveria seguir.
Vamos ser muito felizes ainda.
Eu sei que sim.
Eu sei que um dia, assim por um acaso, ainda vamos nos esbarrar por aí.
Então vamos nos cumprimentar como velhos bons amigos, e perguntaremos como vai a vida um do outro, se tivermos tempo.
Vamos sorrir, dizer adeus, aparece por aí, e espero que eu possa sentir que fiz a coisa certa.
As coisas não ditas nunca pesaram tanto antes.
Depois, antes de dormir, vou pensar em você e me perguntar o que não deu certo, e sei que vou ter que pensar nisto por horas até me lembrar de todos os mínimos motivos e mínimas pseudo-histórias que nos trouxeram até aqui, e vou até me perguntar se isto não foi tudo só coisa da minha mente.
Talvez eu até ligue para uma velha amiga, que saiba de todas estas mínimas coisas, por mais que já nem tenha mais tanto contato, só para que ela me ajude a lembrar o porquê de não termos dado certo, e então eu possa dormir sem a culpa de achar que estraguei tudo sem antes tentar. Talvez eu também possa falar de todas as coisas inúteis que fiz para tentar te esquecer, você se impressionaria se soubesse o quanto apelei.
Talvez eu precise fazer análise por alguns anos, talvez eu precise aprender novas técnicas para alinhar meus chackras, novas posições de ioga, talvez eu precise ler tudo de Caio Fernando Abreu, talvez eu precise ouvir todas as músicas que me lembrem você, que são quase todas as que conheço, para poder me auto torturar e depois me lamentar sobre o quanto minha vida emocional foi fracassada.
Talvez eu leia todas as coisas que escrevi sobre você e que você nunca soube que existiram, e talvez eu até ache que porque você não sabe destas coisas foi o motivo de não ter dado certo.
Talvez eu escreva uma música, uma música bem bonita, que ninguém nunca vai conhecer, e que conte tudo o que senti por você. Talvez eu vá até o lugar onde considero o meu lugar, o lugar de onde eu sei que consigo recomeçar, e talvez nem isto funcione quando de repente seu perfume me vier a mente assim, do nada, só para parecer que você ainda está por perto.

Mas no fundo eu sei que tudo vai ficar bem, que tudo vai passar, tudo sempre passa.
Eu sei que novos dias virão, que o Sol vai brilhar no céu e que eu ainda vou conseguir inventar um novo ânimo para viver.
Sei que eu vou saber que você foi uma parte boa da minha vida.
Uma parte bastante inspirada, nem eu mesma sabia que poderia sentir tantas coisas.
Foi crescimento, amadurecimente, é sempre assim.
Tudo sempre acrescenta.
Mas antes de eu ir embora, só me deixe dizer uma coisa, talvez eu não diga mesmo, de verdade, mas posso olhar para você e pensar: te desejo uma coisa assim bem bonita, bem grande, te desejo tudo o que te faça feliz no mundo e toda a paz de espírito que conseguir acumular. Me deseje uma coisa boa assim, tipo fé, bastante fé em tudo o que eu faça daqui em diante e que eu ainda possa acreditar.
Te desejo um bem enorme.
(Fernanda Borba)