24 de dezembro de 2010

Sempre acho que namoro, casamento, romance tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.
Detesto quando escuto aquela conversa:
- 'Ah! Terminei o namoro...'
- 'Nossa! Quanto tempo?'
- 'Cinco anos... Mas não deu certo... acabou!'
- É? Não deu?
Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou.
E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.
Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam..
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos esta coisa completa.
Às vezes ele é fiel, mas não é bom de cama...
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel...
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador...
Às vezes ela é malhada, mas não é sensível...
Tudo nós não temos.
Perceba qual o aspecto que é mais importante e invista nele.
"Pele" é um negócio traiçoeiro.
Quando você tem "pele" com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.
E, às vezes, você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... senão bate.. mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.
Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra.
O outro tem o direito de não te querer.
Não lute, não ligue, não dê pití.
Se a pessoa tá com dúvida, problema dela, cabe a você esperar ou não.
Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto. Ele titubeia, tem dúvidas e medos mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta.
Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob chantagem, gravidez, dinheiro, recessão de família?
O legal é alguém que está com você por você. E vice versa.
Não fique com alguém por dó também.
Ou por medo da solidão.
Nascemos sós. Morremos sós. Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado.
E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.
Tem gente que pula de um romance para o outro.
Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?
Gostar dói.
Você muitas vezes vai ter raiva, ciúmes, ódio, frustração.
Faz parte. Você namora um outro ser, um outro mundo e um outro universo.
E nem sempre as coisas saem como você quer...
A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.
Se alguém vier com este papo, corra, afinal, você não é terapeuta.
Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.
Na vida e no amor, não temos garantias.
E nem todo sexo bom é para namorar.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar.
Nem todo beijo é para romancear.
Nem todo sexo bom é para descartar. Ou se apaixonar. Ou se culpar.
Enfim... quem disse que ser adulto é fácil?


(Arnaldo Jabor)
 
 
 

22 de dezembro de 2010

It's not that I wanna say goodbye
It's just that everytime you try to tell me, me that you love me
Each and every single day I know
I'm going to have to eventually give you away
And though my love is rare
And though my love is true
Hey, I'm just scared
That we may fall through

I'm like a bird. I don't know where my soul is, I don't know where my home is
I'm like a bird, I'll only fly awayI don't know where my soul is, I don't know where my home is.

(A cada e todo dia eu sei
que no final vou ter que trair você
E ainda que meu amor seja raro
E ainda que meu amor seja verdadeiro
Ei, só estou com medo
De nós não darmos certo

Sou como um pássaro. Eu simplesmente voarei embora
Não sei onde está minha alma, não sei onde está meu lar)

(Nelly Furtado)



20 de dezembro de 2010

Pra você guardei o amor - Nando Reis e Ana Canãs


Porque o seu amor já virou meu vício
Eu posso até me dar mal
Por não ser seu amor, ou não ter compromisso
Isto é particular.


(Seu Jorge)



Escutei alguém abrir os portões
Encontrei no coração multidões
Meu desejo e meu destino brigaram como irmãos
E a manhã semeará outros grãos

Você estava longe, então
Por que voltou
Seus olhos de verão
Que não vão entender?

(Skank)





Ele andou e eu fiquei ali
Ou será que fui eu que dali mudei
Com uns passos mudos
De uma reticência?

Ele me olhou bem
Quem sabe com ele
Eu teria achado
O que sempre me faltava
Cores, colagens, sons, emoção!

Se eu não posso ser
Fico imaginando
Eu fico imaginando

(Skank)


Coveiros gemem tristes ais
E realejos ancestrais juram que
Eu não devia mais querer você
Os sinos e os clarins rachados
Zombando tão desafinados
Querem, eu sei, mas é pecado
Eu te perder

É tanto, é tanto
Se ao menos você soubesse
Te quero tanto

(Skank)


 

18 de dezembro de 2010

17 de dezembro de 2010

Anjo bom, anjo mau
Anjos existem
E são meus inimigos
E são amigos meus
E as fadas
As fadas também existem
São minhas namoradas
Me beijam pela manhã
Gnomos existem
E são minha escolta
Anjos, gnomos
Amigos e amigos
Tudo é possível
Outra vida futura, passada
Viagens, viagens
Mas existem também drogas pra dormir
E ver os perigos no meio do mar
No sono pesado, tudo meio drogado
Existem pessoas turvas, pessoas que gostam
E eu tô de azul e amarelo
amarelo,azul e amarelo

(Cazuza)



16 de dezembro de 2010

Se a vida veio lhe chamar
Se tem que ir
E não pode mais ficar
Se o destino
Não se encarregar
Da gente se ver
Eu preciso te falar...

Se for embora
Leve um sorriso meu
Guardado no teu peito
Teu coração agora é meu
Mas se fica
Ganha um beijo meu
Com sabor de alegria
É um presente
Que Deus me deu...

(Chimarruts)




15 de dezembro de 2010

E as estrelas ainda vão nos mostrar
Que o amor não é inviável
Num mundo inacreditável

(Cazuza)



*Imagem- texto de Caio Fernando de Abreu

14 de dezembro de 2010

E se eu enlouquecer?
Estava assim, conversando com uma amiga e enquanto criávamos milhares de novas teorias, pensei: e se eu enlouquecer?
É, sim, porque uma pessoa que prefere ficar em casa a sair e ver como o mundo é sujo lá fora corre sérios riscos de enlouquecer.
Porque em casa posso inventar um mundo só meu, lindo, colorido, puro e com muitos sentimentos bons. Mas se saio pro mundo lá fora e vejo tudo o que me ronda me decepciono, fico completamente desiludida.
Ela concordou que é assim mesmo.
Então disse a ela: e sabe o nosso futuro? então, numa camisa de força, vivendo uma vida imaginária.
Acho que agora entendo porque algumas pessoas enlouquecem.


(Fernanda Borba)


O amor é o ridículo da vida. A gente procura nele uma pureza impossível, uma pureza que está sempre se pondo, indo embora.

(Cazuza)


Se eu conseguisse aceitá-lo como uma parte boa da minha vida, eu não teria motivos para ficar infeliz.
Se eu não quizesse sempre mais do que isto, tudo seria leve, divertido, como deve ser.
Porque eu sei que não é um sentimento egoísta, porque ao contrário de vários outros, não me importa o que você sente por mim, o que eu sinto já me basta.
Porque não me importa todas as coisas que você faça, ou o quanto eu sempre tente te ignorar, eu adoro
você.
Eu não tenho nenhuma resistência a você.
Já faz tanto tempo, e a maior parte das coisas que escrevi sobre você eram quase pedidos desesperados de que você fosse embora, ou não se aproximasse demais.
Tudo porque você é a única pessoa que pode me deixar inexplicavelmente feliz e inexplicavelmente triste.
Talvez você esteja indo embora, e eu não queria que fosse assim. Com tanta coisa mal resolvida aqui, ainda.
Mas talvez não haja outra forma, ou uma forma melhor de se fazer isto.
(Fernanda Borba)



13 de dezembro de 2010

Ele era o que eu queria.
Eu sempre soube.
Podia amar outras pessoas, gostar de um monte, achar que ele não era o certo.
Mas ele sempre foi.
Pode até ser que ele não tenha o jeito certo, mas tem o jeito que combina comigo.
Vi isto no último sábado.
O jeito que se encaixa ao meu.
É tão igual a mim que posso prever cada coisa que diz respeito a ele.
É tão impressionantemente igual a mim que nunca vamos ficar juntos.
Somos pessoas estranhas, frias, e com caras de desinteressadas.
Temos pavor de compromisso, sede de liberdade.
Não acho que perderíamos isto, mas também não temos coragem para arriscar.
Ele é com certeza a parte mais divertida da minha vida.
Confusa, complexa, desesperadora, mas divertida. Leve até. Por mais que eu tente fazer com pareça pesada.
Sempre tive tanto medo dos sentimentos verdadeiros, que deixei ele de lado.
Não me arrependo nem sinto orgulho disto.
Sinto só medo. Medo de um dia achar q era ele mesmo e ele ter ido embora, medo de ele não querer ficar comigo se eu quizer, medo de sentir falta dele, medo de ninguém mais me interessar, medo de gostar além do que devia agora que já é tão tarde e eu já tinha até decidido a abandonar tudo.
Mas no último sábado eu vi, é tão claro.
O sentimento é o mesmo de sempre. E o medo também.

(Fernanda Borba)

 

Eu preciso saber

A recaída de amor acontece como num daqueles pesadelos que se está caindo. De repente você acorda sentado na cama: Meu Deus, eu preciso saber! Mas se eu já estava tão bem há semanas. Volte a dormir, volte a dormir. Você já tinha decidido lembra? Nada a ver com você, chato, bobo, não deu certo. Mas eu preciso saber. Não, não precisa. Pra quê? Vai te machucar. Não! Eu preciso saber. Então levanto da cama.
(...)Tento o Twitter mas ele só escreve piada de político. Tento o Facebook, Twitter e blogs de amigos. Está ficando tarde. Se eu tivesse essa mesma concentração e minuciosidade e empenho e energia para o trabalho estaria rica. Estou retesadamente motivada e atenta. Mas não consegui nenhuma informação e eu ainda preciso saber. São seis da manhã. Estou cansada. Coloco a música de quando você forçou a porta do quarto e entrou. Black Swan. Não sou boa de inglês como você, mas sei que é a história de algo que já começou fodido porque cresceu demais antes da hora, você que pegue um trem e suma daqui. Que bela música pra começar. Ok, agora estou chorando. Lembrei que eu me sentia tão viva com você me olhando bem sério e bem no fundo dos olhos e machucando meu braço. Sim, é definitivamente uma recaída e eu acabo de decidir que te amo mais que tudo no universo e que amanhã, ou hoje, porque já são sete e meia da manhã, vou resolver isso. Agora preciso dormir só um pouquinho (...)
O que eu nunca vou saber é porque faço tudo isso comigo só porque tenho tanto pavor do tédio. Era só isso o que eu precisava saber.



(Tati Bernardi)



12 de dezembro de 2010

Querido Papai Noel,

Esse ano fui uma menina muito boazinha. Passei fio dental, paguei todas as minhas multas e usei camisinha. Por isso, queria te pedir um presente. A última vez que te escrevi uma cartinha eu devia ter uns seis anos. Depois disso, o Thiago, o menino ranhento da minha classe, riu bem alto de mim, me apontando enquanto girava no gira-gira: ela acredita! Ela acredita!

Pois é, eu acreditava, e morri de vergonha. E nunca mais quis saber de você. Por causa do trauma de ser inocente e do dedo apontado do menino cheio de ranho, você virou um velho tarado que fica de pau duro em shopping, querendo mais é sentar as jovens mães em seu colo barato. O mundo foi ficando feio e cínico e com cheiro de saco de Papai Noel que não tem tempo de lavar a única calça abafada.

Mas esse ano fui uma menina boazinha e resolvi resgatar o 0,1% de crença que ainda existe em mim e te fazer esse pedido. Eu acredito, Papai Noel. Eu acredito no amor. Coisa que tá muito mais difícil de acreditar do que num velho fazedor de brinquedo e seus viadinhos sobrevoando nossas cabeças.

Se eu te contasse como foi minha vida amorosa nesses últimos anos, Santa, você diria: pegue seus livros, um vibrador e se mude agora para o Pólo Norte! Congelada e solitária talvez você viva melhor!

Mas cara, quer dizer, Papy, vou te falar que sou taurina e teimosia é meu sobrenome (na verdade é Pinto, mas acho que dá no mesmo). E eu ainda acredito no amor. Eu acredito! Volto agora pra cena macabra da infância. Thiago tem apenas sete anos. Ele gira, gira. Segura com uma mão o brinquedo e com a manga do outro bracinho gordo ele limpa seus ranhos. Escuta aqui, moleque, mas escuta bem: eu acredito que dá pra sonhar. Dá pra sonhar seu desgraçadinho entupido! Ouviu? Assopra tapando o nariz pra destampar esse ouvido!

Noel, cara, eu cansei. Só quero que seja natural, simples, fácil e bom. Não quero falar o que meus amigos me mandam falar porque se eu falar o que eu tenho vontade de falar poucos vão ficar. Eu não quero poucos. Eu não quero muitos. Eu quero um. Um amor. Só um.

Já tive bastante do resto que parece amor, já fiz bastante do resto que parece amor, já provei bastante pro Thiago que ele tava certo em relação a girar e rir e não acreditar e escorrer pelo nariz de medo de ficar aqui dentro. Agora eu quero sentar no seu colo, sem você ficar de pau duro, e quero que exista alguma porra de pureza nessa vida.


(Tati Bernardi)



"Não sei onde foram parar aquelas minhas fantasias adolescentes sobre o amor. Acho que elas foram se despedaçando e indo embora junto com cada uma das pessoas que - perdoem-me pelo clichê piegas - partiram meu coração. E o mais ridículo é que mesmo sabendo que elas não passavam de fantasias adolescentes, no fundo eu ainda espero que alguém apareça e me diga "ei, olha o que eu achei na rua, suas fantasias adolescentes; quer de volta?"


(Natalia Klein - Adorável Psicose)



Good-day sunlight
I'd like to say how truly bright you are
You don't know me but I know you
You're my favorite star
Follow you I will so lets get moving
Who needs shelter when the mornings coming?
Absolutely there's no one
Who needs shelter from the sun?
Not me, no. not anyone.

(Jason Mraz)



"A gente sonhou o que pôde, fez o que não devia, amou sem garantias, virou noitadas, experimentou, chorou, acreditou, aconteceu ...
Sempre juntas, sempre perto. Apertos e desejos, lágrimas e recomeços, confusões, confissões...
Depois de tudo isso e por nada eu continuo querendo e amando essa nossa amizade."





* Para Ana Carolina ( que parece ser minha amiga a 500 anos)

9 de dezembro de 2010

Vejo que algumas fantasias voltam sistematicamente a assombrar teus sonhos, mas não precisas temer porque elas não existem de verdade. São ficção inventada por mim, justamente para te tirar o sossego. No entanto, em alguns momentos, os sonhos tornam-se tão dramaticamente reais que acordas no meio da noite, aflita, atrás da realidade que então te acolhe e acalma. Mas sem a fantasia dos sonhos, tua vida se esvazia novamente. Então abandonas a realidade e voltas apressada para as fantasias que também te acolhem, deixando tua mente cada vez mais confusa ao perceber que nada é tão absoluto, nem a realidade que te aborrece, nem os sonhos que te atraem, enquanto o trapézio oscila lento no bojo da tua aflição.

("Cartas a Uma Mulher Carente" de Ney Amaral)
 
 
 

“O amor é uma máquina do tempo, e todo desejo, é desejo de voltar. E encontrar no amor as pessoas de quem gostávamos(...) mas não é só isso, querer voltar ao passado é querer transformar esse passado quantas vezes forem necessárias.”

 
(texto: Afinal o que querem as mulheres?)





Eu vejo que aprendi
O quanto te ensinei
E é nos teus braços que ele vai saber
Não há por que voltar
Não penso em te seguir
Não quero mais a tua insensatez
O que fazes sem pensar aprendeste do olhar
E das palavras que guardei pra ti

Não penso em me vingar
Não sou assim
A tua insegurança era por mim
Não basta o compromisso,
Vale mais o coração
Já que não me entendes, não me julgues
Não me tentes
O que sabes fazer agora
Veio tudo de nossas horas
Eu não minto, eu não sou assim

 
Ninguém sabia e ninguém viu
Que eu estava a teu lado então
Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser
Sou Deus, tua Deusa, meu amor

(Legião Urbana)

"Esqueça se ele não te ama,
esqueça se ele não te quer,
não chore mais, não sofra assim
porque eu posso te dar amor sem fim"...
 
(Adriana Calcanhoto)
 
 

7 de dezembro de 2010

De repente viu, entre nuvens,
sombrio e límpido
o pensamento.
Voou e foi de encontro as suas asas
se misturou em suas cores.
A tornou forte, de um jeito imprevisível.
Subiu e desfez no ar. De uma jeito tão bonito.
Mas a alegrou, por uma vida inteira.
 
(Fernanda Borba)
 
 

"Cmo um brotinho de feijão foi que um dia eu nasci.
Despertei, caí no chão e com as flores cresci.
E decidi que a vida logo me daria tudo,
se eu não deixasse que o medo me apagasse no escuro.
Quando mamãe olhou pra mi ela foi e pensou,
que um nome de passarinho me encheria de amor.
Mas passarinho se não bate a asa logo pia"...

(Tiê)




"Ai, ai, como é bom voar"

6 de dezembro de 2010

Então, de repente, sem pretender, respirou fundo e pensou que era bom viver. Mesmo que as partidas doessem, e que a cada dia fosse necessário adotar uma nova maneira de agir e de pensar, descobrindo-a inútil no dia seguinte - mesmo assim era bom viver. Não era fácil, nem agradável. Mas ainda assim era bom. Tinha quase certeza.


(Caio F. Abreu)
 
 
 

5 de dezembro de 2010

You're beautiful, that's for sure
You'll never ever fade
You're lovely but it's not for sure
I won't ever change
And though my love is rare
Though my love is true

I'm like a bird, I'll only fly away
I don't know where my soul is, I don't know where my home is

(Nelly Furtado)

4 de dezembro de 2010

A história completa de Ritinha (Tati Bernardi)

Ritinha fingiu a vida inteira mas nunca deixou de procurar a verdade. Sempre uma tosse de angústia na boca do peito. Sempre um motorzinho acelerado enjoado lá pro meio de algo que fica dentro. O olho ardia. A língua travava de vontade de mudar todo o discurso pronto e dizer apenas a verdade. Mas qual era a verdade? Então seguia fingindo. A vida inteira. Estudou um monte de coisa que se embaralhava na sua frente, mas fingia acreditar que aquilo a levaria para algum lugar. Um lugar com novos amigos e novos amores, talvez. Talvez essa fosse a verdade que purificaria tanta coisa sem sentido. Mas também não era isso porque, com esses amigos e amores, Ritinha seguia fingindo. De fingir estudar passou em tudo que fingiu se importar. De fingir curtir as festas e os amigos e aquilo tudo, Ritinha vivia em álbuns felizes e acabava feliz. De fingir amar, acabou chorando e doendo e escrevendo tantas coisas bonitas. Ritinha seguia fingindo o tempo todo. Às vezes, com medo de morrer soterrada por tanto teatro, Ritinha segurava firme no fundo dos olhos de alguém e dizia: a verdade é que, a verdade é que. E a pessoa, caso fosse assim como Ritinha, uma pessoa especial (porque quem procura essa verdade sempre é) só dizia: eu sei, eu sei. E era isso. Um momento especial, de verdade, sem a bola de pêlo presa na goela. Sem a tosse de angústia, tentando soltar algo pro ar entrar. Mas que algo? Mas que tosse? Então Ritinha ia ao psiquiatra e dizia não entender todas essas coisas como nuvens e casamentos e rodas fedorentas de caminhões bafando quente e infernal e abajures e cartões fidelidade e apostilas e tudo isso que acaba acontecendo porque acontece com todo mundo. Mas pra quem? Por quê? Qual é a verdade? Todos caminhando, todos com horários, todos de volta, cansados, o cérebro já bem gasto, agora podemos dormir, ufa, podemos dormir, pra quê? Pra amanhã mais e mais. E Ritinha ia. Como na hora do rush do metrô. Empurrada pela multidão sem verdade pra dentro de algo que leva pra algo. Pra onde? Eles precisam pagar as contas, eles precisam pagar o plano de saúde, diria sua mãe. Tá, e daí? Ter um problema sério nos ocupa de não ter o problema real. O problema real é que não dá pra calar a cabeça procurando a verdade. Que verdade? Quem inventou as nuvens? Porque as rodas de caminhões soltando fumaças quentes lembram tanto o inferno? E quem disse que a roda solta alguma coisa? Onde está a saída daqui? O tempo todo essa pergunta: onde está a saída daqui? Qual o caminho mais rápido para a minha cama, o silêncio, o escuro. Ritinha abraça as pernas, como criança, e se diz baixinho: não dá pra saber a verdade, não dá pra parar a cabeça, nada parece realmente o que é, hoje eu não disse o que realmente queria, aquelas pessoas não sentem aquilo que demonstram, eu pouco me importo com 70% dos preenchimentos do meu dia, mas é preciso chegar até amanhã. É preciso chegar. Ritinha se formou, trabalhou, namorou, viajou, casou, teve filhos, escolheu vestidos, escolheu pisos, escolheu tacos, escolheu flores, escolheu travesseiros, escolheu máquinas de lavar, escolheu o nome do neto, escolheu fazer a cirurgia, escolheu o sapato baixo, escolheu ver a novela ao invés do filme, escolheu dormir até mais tarde no dia que a empregada chegava mais cedo. Sem saber a verdade, Ritinha escolheu viver. No último segundo, até porque prometi que essa era a história completa de Ritinha, Ritinha descobriu algo que nunca mais poderá contar a ninguém. Só o que sabemos é que, em sua última sugestão do que seria a verdade, ela sorriu como sorrimos para um bebê quando ele se levanta bem compenetrado depois de desabar.


(Tati Bernardi)

3 de dezembro de 2010

Eu perco o chão, eu não acho as palavras
eu ando tão triste, eu ando pela sala.
Eu perco a hora, eu chego no fim
Eu deixo a prota aberta,
eu não moro mais em mim...
 
(Adriana Calcanhoto)

29 de novembro de 2010

Tudo azul
Completamente blue
Vou sorrindo, vou vivendo
Logo mais, vou no cinema
No escuro, eu choro
E adoro a cena

Sou feliz em Ipanema
Encho a cara no Leblon
Tento ver na tua cara linda
O lado bom
Como é triste a tua beleza
Que é beleza em mim também
Vem do teu sol que é noturno
Não machuca e nem faz bem

Você chega e sai e some
E eu te amo assim tão só
Tão somente o teu segredo
E mais uns cem, mais uns cem

Tudo azul, tudo azul
Completamente blue
(Cazuza)

Solidão amiga do peito
Me dê tudo que eu tenha por direito
Me diga, me ensina

Ao dormir não sinto medo
Há um sol, existe vida
Me trate com jeito
Eu tenho saída

Eu quero calor e o mundo é frio
Minha vaidade não enxerga o paraíso
Eu preciso de alguém pra fugir,
sem avisar ninguém

(Barão Vermelho)
 
 

Solidão a dois de dia, faz calor, depois faz frio.
Você diz "já foi" e eu concordo contigo.
'Cê sai de perto eu penso em suicídio,
mas no fundo eu nem ligo.
Você sempre volta com as mesmas notícias.

  
(Cazuza)



20 de novembro de 2010

So don't go away
Say what you say
But say that you'll stay
Forever and a day... in the time of my life
'Cause I need more time, yes I need more time
Just to make things right

Damn my situation and the games I have to play
With all the things caught in my mind
Damn my education I can't find the words to say
About the things caught in my mind

(Oasis)



19 de novembro de 2010

Ele sabe que eu quero, muito lhe espero
Mas agora o assunto é particular
Não acabou o amor, só o compromisso
Isto não é banal, está com um novo amor
E batalhou por isso, isto é muito pessoal.

Ele sabe que eu quero, quanto tempo for espero
Me desejo, me derreto com seu jeito de me olhar
Porque o seu amor já virou meu vício
Eu posso até me dar mal
Por não ser seu amor, ou não ter compromisso
Isto é particular.

Agora eu vou lhe dá uma dica, uma dica
O mundo é tão lindo
Ainda tem eu aqui te querendo, querendo ( ainda por cima tem eu te querendo, te querendo )
Acordei pensando nisso

E o bom da vida é viver bem
Estar bem, querer bem
Deixa eu namorar

Viver bem
Estar bem, querer bem
Não é nada mau
Viver bem, estar bem é particular.

(Seu Jorge)



17 de novembro de 2010

Você me olha todos os dias quando chego tentando ver em mim algo que possa te dizer que ainda gosto de você.
E fica olhando, insistentemente, até ter qualquer gesto que te faça crer que tudo ainda está igual. Por mais que não faça a mínima diferença, já que vai ser sempre você de um lado e eu do outro.
Ainda assim você implora por isto. Querendo saber se eu gosto de você, um pouquinho que seja.
Só para nutrir seu ego e então você poder ir embora feliz.
Mas tudo bem, agora que já nem gosto mais assim, pelo menos não deste jeito, posso até fingir que gosto um pouquinho. Só para ver que você vai ficar em paz. E porquê isto agora é seguro para mim e nada pode acontecer de ruim, até te abraço, te olho e sorrio, sem te odiar ou a mim.

(Fernanda Borba)



"Tenho uma vontade besta de voltar, às vezes. Mas é uma vontade semelhante à de não ter nascido"

 

  (Caio F. Abreu) 

 


"Alguma coisa em mim-e pode-se chamar isso de "amadurecimento" ou "encaretamento" ou até mesmo "desilusão" ou "emburrecimento"-simplesmente andou, entendeu?Desisti de achar que o príncipe vai achar o sapatinho(ou sapatão) que perdi nas escadarias.Não sinto mais impulsos amorosos."

 

 

 (Caio F. Abreu) 

 


 

"Mas não se preocupe, não vou tomar nenhuma medida drástica, a não ser continuar, tem coisa mais autodestrutiva do que insistir sem fé nenhuma? Ah, passa devagar a tua mão na minha cabeça, toca meu coração com teus dedos frios, eu tive tanto amor um dia, ela pára e pede, preciso tanto tanto tanto, cara, eles não me permitiram ser a coisa boa que eu era."

 

 (Caio F. Abreu) 

 



Gastei tanta palavra por gastar
Agora as pobres tentam se salvar


(Kid Abelha)



Quando a lua está na sétima casa
E Júpiter alinhado com Marte
A paz vai guiar os planetas
E o amor irá além das estrelas


Esse é o começo da era de aquários
Era de aquários
Aquários! Aquários!


Harmonia e compreensão
Simpatia e confiança em abundância
Nenhuma falsidade ou escárnio
Visões vivas de sonhos dourados
A revelação do Cristal místico
E a verdadeira liberação da mente
Aquários! Aquários!
Deixe o sol, deixar que o sol venha, o sol vir




( Age of Aquarius - 5th dimension)




15 de novembro de 2010

E pela primeira vez em muito tempo não estou gostando de ninguém
Não tenho obsseções, não penso o dia inteiro em uma só pessoa, não perco minha concentração por isto.
Ouço músicas, várias delas, e elas só significam o que realmente significam, e não mais parecem ser escritas exatamente para uma pessoa. Posso ouvir qualquer música mais "dor de cotovelo" que exista e não ficar mal, nem um pouco.
E estou em um estado de paz de espirito incrivel. Como nunca antes estive.
Não quero gostar de ninguém agora. Estou tão feliz gostando de mim mesma. Colocando meus pensamentos no lugar e podendo ver o mundo e as pessoas exatamente como elas são, sem tentar achar sinais em nada.
Desde meus treze anos venho gostando de vários caras, consecutivamente, sem intervalos.
Preciso de um tempo agora. Um tempo para mim.
Conheci um cara encantador. No jeito dele.
E já faz tempo que não conheço alguém assim. Alguém que eu não ache monótono demais. E até sinto vontade de usá-lo como inspiração para o que eu escrevo, mas acho que como amizade seria tão mais perfeito, que por ora me esqueço de tudo o que posso pensar e me lembro de não tentar controlar demais a vida.
Por enquanto, só
E feliz sim, bastante.


(Fernanda Borba)



O que sinto agora
são as estrelas em seus olhos.
Os meus estão apagados, eu sei, já faz muito tempo.
Mas quando vejo as estrelas em seus olhos
me lembro que isto ainda existe.
Passarinho.
Você voa com alegria.
E se cai em cima de mim é só para alegrar o ambiente. Nunca para pedir atenção.
Você não precisa pedir atenção.
Por onde você passa todos te percebem.
Isto é certo.
Sua alegria contagia o ar, e eu sigo esta alegria.
Preciso seguir. Preciso respirar, quase sugar toda esta alegria.
Faz tanto tempo que não encontro uma pessoa assim...

(Fernanda Borba)



14 de novembro de 2010

Está acontecendo de novo.
Sinto que está.
Os dias têm mais cor apesar de um fundo ainda cinzento.
Esta vindo como uma estação, outono eu acho.

(Fernanda Borba)




10 de novembro de 2010

E você me olha com essa carinha banal de “me espera só mais um pouquinho”. Querendo me congelar enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre volta.
(...)Porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. E, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. E, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. E, quando está longe de casa gosta de ouvir minha voz pra se sentir perto de você. E, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. Eu sei de tudo. E eu passei os últimos anos escrevendo sobre como você era especial e como eu te amava e isso e aquilo. Mas chega disso.
Caiu finalmente a minha ficha do quanto você é, tão e somente, um cara burro...

(Tati Bernardi)



Nem tudo é como você quer
Nem tudo pode ser perfeito
Pode ser fácil se você
Ver o mundo de outro jeito

Se o que é errado ficou certo
As coisas são como elas são
Se a inteligência ficou cega
De tanta informação

Se não faz sentido, discorde comigo
Não é nada demais, são águas passadas
Escolha uma estrada
E não olhe, não olhe prá trás

Você quer encontrar a solução
Sem ter nenhum problema
Insistir em se preocupar demais
Cada escolha é um dilema

Como sempre estou
Mais do seu lado que você
Siga em frente em linha reta
E não procure o que perder


(Capital Inicial)
 
 
 
 
 
 
 

7 de novembro de 2010

6 de novembro de 2010

E depois de tudo, de todas as coisas, ditas, feitas, subentendidas, sentidas, não ditas, o que resta é a incerteza sobre os sentimentos, os mesmos que até tão pouco tempo eram tão certos em mim.
E o mais triste é ver onde chegamos, no que nos transformamos.
Não se poderia esperar muita coisa mesmo. Mas também não esperava isto assim, desde jeito.
Toda esta coisa que começou com "Assim sem fim" e acabou com um texto da Tati Bernardi que dizia: "O fim do amor é ainda mais triste do que o nosso fim"
E agora o que faço com todas as coisas que senti e não existem mais?
Como poderia explicar o que aconteceu?
Já nem consigo dizer se eram de verdade, e por incrível que pareça é a pior parte. O fim do amor. Realmente é bem mais triste do que o nosso fim.

(Fernanda Borba)



Para não sofrer eu vou me drogar de outros, eu vou me entupir de elogios, eu vou cheirar outras intenções. Vou encher minha cara de máscaras para não ser meu lado romântico que tanto precisa de um espaço para existir ridicularmente.
Não vou permitir ser ridícula, nem uma lágrima sequer, nem um segundo de olhar perdido no horizonte, nem uma nota triste no meu ouvido. Eu sei o quanto vai ser cansativo correr da dor, o quanto vai ser falso ignorar ela sentada no meu peito. Mas vou correr até minha última esquina. Vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho, um pouquinho que seja para passar.
Suor frio da corrida, sempre com sorriso duro no rosto e o medo de não ser nada daquilo que você me fez sentir que eu era. Muita maquiagem para esconder os buracos de solidão. Muita roupa bonita para esconder a falta de leveza e de certeza do meu caminho.

(Tati Bernardi)



Coragem, às vezes, é desapego. É parar de se esticar, em vão, para trazer a linha de volta. É permitir que voe sem que nos leve junto. É aceitar que a esperança há muito se desprendeu do sonho. É aceitar doer inteiro até florir de novo. É abençoar o amor, aquele lá, que a gente não alcança mais.


(Caio F. Abreu)



4 de novembro de 2010

Se a gente não tivesse feito tanta coisa,
Se não tivesse dito tanta coisa,
Se não tivesse inventado tanto
Podia ter vivido um amor Grand' Hotel.
Se a gente não dissesse tudo tão depressa,
Se não fizesse tudo tão depressa,
Se não tivesse exagerado a dose,
Podia ter vivido um grande amor.

Um dia um caminhão atropelou a paixão
Sem teus carinhos e tua atenção
O nosso amor se transformou em "Bom Dia"...

(Kid Abelha)
 
 

2 de novembro de 2010

Teu olhar me tirou daqui
Ampliou meu ser
Quero um pouco mais
Não tudo
Pra gente não perder a graça no escuro
No fundo
Pode ser até pouquinho
Sendo só pra mim sim
Deixa estar que o que for pra ser vigora
Eu sou tão feliz
Vamos dividir
Os sonhos
Que podem transformar o rumo da história
Vem logo
Que o tempo voa como eu
Quando penso em você

(Maria Gadú)



(...)Olho pra porta e ele acabou de chegar. Eu fui na festa por causa dele. Então era isso, eu tava esperando o tal do moço que me convidou pra festa. E então ele fala comigo e encosta um pouco em mim e eu penso em ser muito honesta. Olha, fulano, eu acho tudo isso um saco, sabe? Eu odeio a cordialidade dos bichos. Todo mundo se elogia, fala de trabalho, conhece gente, faz piadinha ruim. Mas tá todo mundo pensando o que vai ter pra comer e também pra comer. Eu vim aqui porque, sei lá, desde que te vi na reunião e eram oito da noite e você estava muito cansado mas, mesmo assim, você estava muito cheiroso e falou coisas muito inteligentes, eu fiquei a fim de te beijar na boca. Então, dá pra pedir pra esse bando de amigo chato, que fica puxando seu saco, desaparecer do mapa? A menina com a perna gorda pode, por favor, nos deixar em paz? Você pode, por favor, parar de mexer no cabelo da minha amiga e parar de dar risadinha no ouvido dela e sumir daqui comigo? Não, ele não pode. Ele não é a resposta. Ah, Tati. Você deveria saber. Eles nunca são a resposta. Nunca foram. Que é que você quer? Por que você olha tanto pro celular? Existe alguém no mundo, nesse momento, que poderia te ligar agora e te deixar feliz? Não. Ninguém é a resposta. Nem o sofá, nem a festa, nem ficar em casa, nem a água com gás, nem olhar com nojo para o grupo de piriguetes vips que não prestam pra nada a não ser frequentar festas para sair em revistas e angariar empresários. Finalmente já tenho o que esperar: o carro. Finalmente já tenho o que fazer: ir embora. Na verdade a única coisa que estou sempre esperando e querendo é ir embora. De todos os lugares, de todas as pessoas. Eu não estou esperando nada a não ser o tempo todo sair de onde eu estou.

 
(Tati Bernardi)