23 de novembro de 2011

Mas no meio de tantas tentativas frustrantes de abrir com uma ponta fina de faca o peito coberto de mentira, existem ainda esses momentos em que o oxigênio entra tão branco e gelado e de longe, que notamos, não sem saudade, quão fétida, frágil, medíocre e quente é a nossa falsa segurança.

(Tati Bernardi)



16 de novembro de 2011

É, vida.
Estou enfim de coração vazio, vazio.
Alma lavada, cara deslavada e prontíssima para charfudar na lama de um novo amor qualquer.
Se tiver direito a uma só exigência, mesmo não estando em condições de exigir nada, então peço: que não seja medíocre, só não me venha com um novo amor medíocre, vida! Ou serei obrigada a lhe dar as costas.
Seja breve comigo, me dê um amor breve e cheio de sutilezas vãs, destas que só interessam no ínicio, mas não menos importantes que todo o resto da vida.
Me dê um lugar onde meu coração possa morar, já que meu peito o desabrigou, e me dê um punhado de respeito e bem querer. Serei feliz. Prometo. Serei muito feliz desta vez.

(Fernanda Borba)


15 de novembro de 2011

Não quero sugar todo seu leite
Nem quero você enfeite do meu ser
Apenas te peço que respeite
O meu louco querer
Não importa com quem você se deite
Que você se deleite seja com quem for
Apenas te peço que aceite
O meu estranho amor

Ah! Mainha deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar e sigamos juntos
Ah! Neguinha deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração não me diga
Nunca não

Teu corpo combina com meu jeito
Nós dois fomos feitos muito pra nós dois
Não valem dramáticos efeitos
Mas o que está depois

Não vamos fuçar nossos defeitos
Cravar sobre o peito as unhas do rancor
Lutemos mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor

(Caetano)


 

9 de novembro de 2011

Pois então, eu quero que você me deixe só, só sendo. Não tenho energia agora para dar respiração a qualquer frase. Não é que eu esteja numa má fase, mas me veio um choro antigo, mal digerido, uma lembrança sem cor. Estava guardado, eu sei, num pedaço qualquer de um restinho desbotado de amor. Deixa só eu limpar essas lágrimas, clarear minhas retinas, desengasgar essa bolha de águas salgadas. Só estou desembaraçando os sentimentos que ficaram órfãos de mim.

(Marla de Queiroz)


Sinto falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, em não dar conta, em não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.

(Tati Bernardi)


(...)" Sinto falta do mistério que era amar a última pessoa do mundo que eu amaria."

Toda vez
Que eu digo adeus
Eu quase morro
Toda vez
Que eu digo adeus
Aos deuses eu recorro
Nenhum deus contudo
Parece me ouvir
Eles vêem tudo
E te deixam partir

(Cássia Eller)


6 de novembro de 2011

Outra vez vou te esquecer
Pois nestas horas pega mal sofrer

(Cazuza)


“Será que desisti do amor? Que alívio. É um processo que vem se arrastando há uns quatro anos, desde o que chamo de The Big Disaster, agora parece que con-so-li-dou-se. Será que é da idade? Fico ouvindo as pessoas naquele rodenir de ligou?-vou-ligar-não-sei-se-ligo-se-ligar-dizque-saí etc e etc. e acho de uma pobreza alagoana”.

 
(Caio Fernando Abreu)



2 de novembro de 2011

Estou há tanto sozinha e sem ter em quem pensar, que por vezes me pego pensando o que tanta solidão pode causar.
Não é solidão de gente, pessoas, é solidão de uma só pessoa complementar.
Talvez porque a gente cresça, amadureça, sempre pensando que é preciso encontrar alguém para se completar que esquecemos de tentar sermos completos sozinhos. E só então quando a gente envelhece, amargura e caduca é que nos damos conta que poderíamos ter tentado nos auto completar, aí já é tarde pra essas coisas. Deduzo que se leva bastante tempo e um dicernimento que nem chega a ser humano, mas se talvez fossemos criados desde nascidos com esta idéia na mente não fosse assim tão difícil.
E de repente quando me pego pensando em coisas como está me questino se não é somente reflexo de tanta amargura. No fundo tenho muito medo de ser amarga, e não atrair nada de bom pra vida.
Será muita amargura querer ser feliz sozinha?


(Fernanda Borba)