24 de abril de 2011

E passam-se os anos, as mesmas coisas não resolvidas.
As músicas na minha mente, a incerteza de não saber se elas falam sobre mim ou não.
Outra tão importante para mim e associada a um dia tão ruim. Aliás, todas elas associadas ao mesmo dia ruim. Inevitavelmente.
Não precisava ter sido assim. Não precisávamos ter sido assim.
Como tanto desencontro pode ter acontecido sem que tivéssemos controle sobre isto?
Sempre que estou prestes a desistir de tudo ouço estas músicas e desisto de desistir, porque elas sempre fazem parecer que ainda tem algo para ser resolvido. Fazem parecer que existe um sentimento maior. Um sentimento que merece atenção, apesar de eu sempre achar que você não merece atenção.
São as músicas que me mantêm, apesar de todas suas contradições irônicas.

(Fernanda Borba)

23 de abril de 2011

Ela percebe as coisas que nem eu percebo sobre mim mesma. E no fundo eu sei que sempre vou teimar com ela e ela vai me responder em tom irônico, e eu vou ficar debatendo e dizendo que desta vez estou dizendo de verdade, que é pra valer, mas no fundo não é. Não que eu minta. Só sou menos esperta que ela.
E ela odeia quem não gosta de mim, e odeia quem talvez goste de mim - porque talvez é abstrato demais e irrita - e odeia quem eu odeio. E eu odeio todos os que ela odeia ou vai odiar um dia.
Não se engane com o sarcasmo e agressividade esporádicos dela, seu coração é o maior do mundo, isto é certo.
Ela conhece toda minha pindaíba emocional, de cabo a rabo, se assusta, mas não foge, está sempre comigo. E isto é sim, uma coisa incrível. E eu sou feliz por saber que tenho alguém a quem posso dar um pouquinho da minha dor, quando dói muito e eu não consigo suportar - talvez porque eu seja mesmo dramática demais - e ter a certeza de que ela vai saber o que fazer com isto. Ela sempre sabe a coisa certa a se fazer. E eu sempre acredito nela, e a escuto. Mesmo que eu não siga o que ela diz em um caso específico, mas é só por covardia, não porque eu não confie em seus conselhos. Ela sempre está certa sobre quase todas as coisas. E talvez porque ela entenda todas estas coisas do mundo obscuro e de todas as coisas que não dão para ver com olhos, ela me entenda tanto, mesmo eu sendo fechada demais. É que prá ela eu geralmente não preciso explicar, eu digo o que aconteceu e ela mesma consegue transformar em palavras o que estou sentido e me explicar de forma clara o que está acontecendo. Nunca deixe de fazer isto, porque sou subjetiva demais e tendo a sempre enxergar tudo de uma forma errada, inventar histórias, tentar ler sinais, você sabe.
Eu seria uma pessoa muito perdida em mim mesma se eu não a tivesse.
E eu a amo. E ela é linda. Em todos os sentidos. E uma das melhores coisas que me aconteceu nos últimos 100 anos.


(Fernanda Borba)
 
 
 
 
*Para Mariane Mattos.
Entro no feriado prolongado e lá está ele. Onde? Na minha cabeça é claro. Onde sempre está.
Tenho vontade de socar a cabeça na parede e morrer até chegar segunda feira. A certeza de que não vou vê-lo por alguns dias é quase sufocante para mim.
Mas como é páscoa e tenho muitos chocolates decido que a vida é linda e doce. Linda, doce, meio amarga, ao leite, branca, com flocos de arroz e amendoins. Com tantos liberadores de endorfinas quem precisa de anti histamínicos para dormir decentemente? Eu, não.
Agora que tenho meu computador novamente posso respirar mais aliviada, porque sei que vou poder me afogar em muitos textos deprimentes e escrever os meus próprios também.
Agora que tenho muitos canais na tv fechada posso até ser mais feliz, como não ser feliz vendo a disney vender tanta felicidade? Quase impossível, eu sei.
Estou com tanta cólica e dor de garganta, e dor de cabeça, que estou até feliz. Afinal estou sentindo algo,e não preciso morrer de tédio.
É isso, é tédio, é a resposta para todas minhas loucuras. É tudo só por medo de morrer de tédio.
E como morrer de tédio com a endorfina lá em cima? Impossível!
E já que eu queria ter ganhado pelo menos um chocolate em formato de coração, mesmo sabendo que isto é fantasia demais da minha imaginação e não ganhei, tenho muitos planos para o fim de semana.
Tenho filmes para ver e não lembro quais são os nomes ou sobre o que são e chocolate para comer, e ainda preciso planejar meus chocolates para que eles não acabem antes de amanhã. Porque segunda tudo bem, volto a treinar e fico bem de novo.
Mas agora só preciso de chocolate. E meio amargo, por favor. Mais cacau, mais felicidade embrulhada.

(Fernanda Borba)
Tudo que pareceu estar indo, apenas voltou como uma dor que nunca me mata mas me faz voltar gorda de tremores e sarcasmos.


(Tati Bernardi)
Tenho medo quando acaba a bateria do meu Iphone porque mexer nele me distrai de pensar como tudo é bem maluco.

(Tati Bernardi)


*no meu caso, celular.
Há quem diga que quem anda só é melhor do que ao lado de quem não te quer bem.
O meu coração está cansado de ser torturado e precisa de alguém.
Vou tomar o caminho mais reto, vou seguir direto até onde eu quiser.
Vou levar esse amor solitário, tranquilo e na boa até onde eu puder.
Veja só, eu podia estar ao seu lado, mas não deu, e eu não vou ficar aqui parado.
Tô indo pra onde haja Sol, pois o meu coração é meu lar...

(Jorge e Mateus)


19 de abril de 2011

Porque eu não o quero

Posso parecer louca, neurótica, possessiva ou obcessiva com o que vou dizer
agora. Mas o maior motivo de eu não o querer é porque quero alguém que se dedique
a mim. Eu sou completamente apegada a pequenos detalhes e mínimas demonstrações de que uma pessoa se importa.
Sou mimada, quero carinho e atenção incondicional 24 horas por dia, quero
chocolate quando estiver na tpm, quero que me pergunte porque não estou bem
quando eu não estiver e quero que adivinhe o porquê quando eu não quiser dizer.
Quero alguém que sinta minha falta sempre que eu não estiver por perto e que me
ligue só para dizer que está com saudades.
Quero alguém que me beije sempre, todos os dias e como se fosse a primeira
vez.
Quero alguém que tenha paciência comigo e que tolere todo meu mau humor
cotidiano.
Quero alguém que não se importe por eu ser a pessoa mais caseira do mundo e que
compre pipoca e fique assistindo filmes em casa.
Quero alguém que perceba quando mudo a cor do esmalte ou quando corto o cabelo.
Quero que comente até os 500 acessórios que uso no cabelo, e quero que goste.
Quero que diga que me ama, e quero ser única e insubstituível para ele.
Que me desculpe Mario Quintana, mas quero alguém que precise de mim para ser
feliz e quero precisar deste alguém para ser feliz. Minha felicidade nunca foi
completa comigo mesma.
Quero um amor enorme e toda paz de espírito que um ser humano possa conter.
E por isto, não fico com ele.

(Fernanda Borba)

10 de abril de 2011

Eu nunca consigo gostar de mim mesma e dele ao mesmo tempo, então acho que ele não é a pessoa certa.
Por algum motivo não quis mais ficar me esforçando para esquecer os erros e as pequenas mágoas. Não quis mais me anular só para ter um momento feliz com ele.
Não quero mais só momentos.
Estava cansada demais dele, e prá ele.
 
(Fernanda Borba)



9 de abril de 2011

Acho que o maior sinal de que estou recuperando meu equilíbrio é que hoje eu disse não a você.
E não disse pra te ofender, ou para implorar implicitamente por mais atenção, ou esperando alguma reação um pouco mais exagerada.
Disse não porque estou com muita vontade de amar a mim mesma.
Porque quero dedicar esta noite a mim mesma.
Porque dediquei sábados demais querendo morrer com sua ausência.
E neste sábado estou tão em paz, que não queria correr o risco de quebrar minha paz.
Decidi cuidar de mim e pensar em mim antes de fazer qualquer coisa por você.
Feliz, feliz, feliz. Apesar de tudo e por tudo.
 
(Fernanda Borba)



7 de abril de 2011

Estou tão tensa que minhas costas doem. Parecem ter o peso de um mundo.
Talvez seja o peso do meu mundo imaginário.
Ando tão sem tempo, mas sempre penso em você. Ando estudando tanto, mas sempre penso em você.
Hoje tive uma daquelas ânsias de medo da vida, medo da morte, medo do imprevisível, medo do fracasso, medo das palavras que não chegam quando preciso delas, medo do sorriso congelado por algo, medo de querer chorar e tentar segurar pra se fazer forte, medo de ficar sozinha, medo de enlouquecer, medo de engordar, uma certa angustia e uma aflição imensa. E então penso ainda mais em você.
E penso naquele dia da cara amassada e a camisa listrada e o "senta do meu lado?", e tento entender até hoje por que foi um dia tão marcante. Já tive dias melhores com você, dias mais claros, dias mais alegres, não que aquele não tenha sido tudo isto também, só não entendo o porquê marcou, se não teve nada de tão especial ou diferente assim.
E fico pensando se te marcou também. Marcou?
Cheguei em casa, ainda era cedo e estava muito cansada, como se tivesse ralado todos os dias da semana em algum trabalho braçal e ainda estivesse com uma puta gripe, mas não foi nenhum dos dois. Planejei muitas coisas, muito óbvias que até hoje neste último ano inteiro não havia imaginado. Mas dentre uma delas pensei em dizer o quanto acho que sua energia está boa ultimamente, e realmente acho, de verdade, porque quase sempre achei sua energia um tanto pesada, mas agora não, está leve. Então queria perguntar se você está apaixonado por alguém. Só pra ver sua reação, qualquer reação sua já seria um grande passo, já que elas são completamente inesistentes na maior parte do tempo. Mas mesmo que não houvesse reação eu inventaria que houve sim, e ainda que você disesse que está apaixonado por outra eu inventaria que você só está tentando me provocar e se você simplesmente não dissesse nada minha melhor amiga diria que foi porque de novo tive uma dessas ideias "geniais" de inventar uma coisa para saber de outra, e que não é assim que funciona, que preciso ser clara e falar que nem gente. Grande por sinal. Então pensando bem seria inútil, não funcionaria.
Mas hoje é quinta e você não estava lá, amanhã é sexta e depois de depois de amanhã eu provavelmente não vou mais querer perguntar.
E porque você também tem muito medo da vida, e muito medo do fracasso, e muito medo de se expor vai continuar fingindo.
Tudo bem, é vida é longa. Depois de depois de depois de amanhã é outro dia.
Tudo se renova.

(Fernanda Borba)


Espero que você não se vá, se eu não tiver nada mais para te contar.
Não sei dizer, quem dirá? Talvez numa segunda fria, ou num domingo de sol pela manhã.
É triste sim, eu sei, duas pessoas em silêncio sempre dão tanto o que falar.
Então espere na terça, ou depois de amanhã. Quem sabe na quinta, ou sexta, no mais tardar.
Eu direi: não se vá.
 
(Thiago Pethit)


Já que não te tenho por perto
Eu vou tomar um sorvete
Para alegrar o meu dia
Já que você não veio na mala
Eu vou dormir na sala
Pra mudar a rotina
Eu não tenho tempo pra ficar questionando a vida
Posso até ousar e reinventar, numa outra saída
Se quiser tentar adivinhar o que eu guardo aqui no peito
Não se acanhe de falar, é o seu direito

(Tiê)
 
 

6 de abril de 2011

"Tudo já passou e minha vida não passa de um ontem não resolvido"

(Caio F. Abreu)
  
 


É claro que eu ainda amo você.

(Fernanda Borba)


Você tem cheiro de roupa limpinha
 com mente suja e eu quero te rasgar inteiro.
Mas apenas te dou um beijinho no rosto.
Preciso me comportar.

(Tati Bernardi)


5 de abril de 2011

É triste amar tanto e tanto amor não ter proveito. Tanto amor querendo fazer alguém feliz. Tanto amor querendo escrever uma história...

(Tati Bernardi)



3 de abril de 2011

Algumas mulheres curtem homens faixa preta. Eu prefiro os tarja preta.

(Tati Bernardi)

Erotismo consiste em não responder as perguntas.

(Fabrício Carpinejar)

"se cuida" é o "não me enche o saco, sua vaca" do hipócrita.
(Tati Bernardi)

Eu gosto de homem seguro de mim.
(Tati Bernardi)


Abdômen bem resolvido? Peitoral bem resolvido? Pernas bem resolvidas? Prefiro algum homem que tenha o coração bem resolvido.
(Tati Bernardi)

Sempre que o homem é detalhista está mentindo.
(Fabrício Carpinejar)


Não ser uma idiota é de uma solidão desgraçada.
(Tati Bernardi)


Sempre que cometo um crime em pensamento, passo a agir amorosamente para disfarçar.
(Fabrício Carpinejar)


Não é me separando que conseguirei esquecer um amor, mas só vou esquecê-lo dentro da própria relação, esgotando todas as possibilidades
(Fabrício Carpinejar)

Mais triste do que o amor platônico é o ódio platônico.
(Fabrício Carpinejar)

2 de abril de 2011

"Eu o amo do mesmo jeito. Como não percebi? Devo ter esquecido os meus motivos, às vezes isso acontece. São tantas histórias, tanto conforto, tanta intensidade, que é preciso parar para lembrar que eu estou onde eu quero.
Me assusto com a veemência dele, não nego; não omito também que não canso de admirá-lo: é uma beleza inesgotável e única.
Amo tanto que cheguei a utilizar de restrições a mim mesma pra não ficar claro, o que foi desnecessário, pois só fortaleceu o que eu chamo de "medo" nessa estrada perigosa da convivência humana.
O que me conforta é que o perigo está longe, sempre esteve, e eu sou para ele o que ele é para mim."

(Mariane Mattos)

Eu estou tentando não sofrer. Estou tentando ficar bem.
Todos os dias acordo e preciso me preocupar em fazer o possível para ficar bem.
E quando começo a ficar um pouquinho bem, lembro logo do esforço que tenho que continuar fazendo para que não passe. Então acaba passando.
E quando acordo sem forças para nada, não tenho ânimo para tentar não ficar triste. E mesmo assim me esforço, luto, e não me permito cair em profunda tristeza, doso e decido ficar só um pouco triste, bem pouco, só porque já não está cabendo mais dentro de mim.
Então escrevo e disperso um pouco da dor. Converso e disperso um pouco mais.
Ouço uma música alegre, e lá se vai mais um pouquinho da minha dor para o ar.
Sorrio sempre, digo coisas engraçadas e brinco com tudo isto, porque acho que se um dia eu resolver parar de fingir que não sofro ou que sofro pouco, nunca mais conseguirei ser feliz outra vez.
E assim vou vivendo.
Choro preso na garganta e uma dor que chega a doer de verdade, fisicamente. Uma vontade imensa de morrer, só para não ter que ficar confusa, ou sofrer, ou até mesmo ficar feliz às vezes. Sem dramatizações.
Outro dia fiquei horas em frente ao espelho pensando porque meus olhos não brilham mais. Era tão fácil. E
nem faz muito tempo. Meus olhos brilhavam, e isto não passava rápido como agora. Estavam sempre brilhando.
E eu tinha uma vida, e uma felicidade de viver gigantes, mal cabiam em mim.
Sempre me pergunto como isto foi acontecer? Em que momento do caminho me perdi e me deixei levar por sentimentos por quem não se importava.
Quero tanto olhar pra você e dizer que não me importo mais. Mas não seria verddae. Seria tão e somente uma tentativa desesperada de que você esboçasse alguma reação, qualquer reação.
Sempre digo a mim mesma: isto não é vida. Mas como posso ir embora se meu coração ainda dispara só por ver você, mesmo vendo você todos os dias. Como se estou sempre querendo ir atrás de você, te perseguir por qualquer lugar por onde você ande, mesmo sabendo que isto não me levaria a nada e não é nem digno. Como posso ir embora e deixar meu coração pra trás. Viver o resto da vida sem um coração? Até pouco tempo atrás acharia uma frase assim sem sentido, coisa de mulher burra, com falta de amor próprio ou que não tem mais o que fazer. E agora tenho só que dar os braços a torcer e dizer que entendo todas estas que sofrem e parecem idiotas por isto.
Eu não quero ficar com você.
Eu nunca quis.
Não é que eu não o ame. Eu escolhi não ficar.
E escolher não ficar, não livra da dor.


(Fernanda Borba)
Estou amarga com simplicidade, e isso é relaxante já que vivo cheia de complicações. A amargura é muito mais simples que a esperança. Estou triste do tamanho do buraco sem vida que você deixou em mim, uma concavidade sonhadora que ainda pulsa um desejo que ao mesmo tempo enoja.
Ainda sinto você aqui dentro e toda a energia boa de vida que esta lembrança poderia gerar em mim, mas essa energia sem escape, sem válvula, sem história, essa energia inocentemente transformada em ódio, só carrega ondas que me corroem por dentro.
Mas para não sentir dor eu vou jurar ao último ouvido do meu universo o quanto você é descartável. O quanto sua molecagem não permitiu nenhuma admiração de minha parte.
Para não sofrer não vou permitir minha cabeça no travesseiro antes do cansaço profundo e sem cérebro. Não vou permitir admirar coisas da natureza porque talvez eu me lembre de você ao ver algo bonito.
Não vou permitir silêncios porque é aí que o meu fundo transborda e a tristeza pode me tomar sem saída. Eu vou continuar deixando a minha cabeça me martelar porque toda essa confusão é ainda menos assustadora do que a calmaria da verdade...
A verdade é que não dá para fugir da dor, e eu continuo correndo, correndo, correndo e não saindo do mesmo lugar.
(Tati Bernardi)
 
 



Eu achei que quando passasse o tempo, eu achei que quando eu finalmente te visse tão livre, tão forte e tão indiferente, eu achei que quando eu sentisse o fim, eu achei que passaria. Não passa nunca, mas quase passa todos os dias.


(Tati Bernardi)
A bela e o burro

Ontem depois que você foi embora confesso que fiquei triste como sempre.
Mas, pela primeira vez, triste por você. Fico me perguntando que outra mulher ouviria os maiores absurdos como você, um homem de 32 anos, planejar ir a uma matinê brega com gente sem assunto no próximo domingo e, ainda assim, não deixar de olhar pra você e ver um homem maravilhoso.
Que outra mulher te veria além da sua casca? Você não entende que eu baixei a música do “Midnight Cowboy” e umas boas do Talking Heads, Vinícius de Morais e do Smiths porque achei divertido te fazer uma massa ouvindo algumas músicas que dão vontade de viver. Uma massa que você não vai comer porque está perdendo o paladar para o que a vida tem de verdadeiro e bom. É tanta comida estragada, plastificada e sem sal, que você está perdendo o paladar para mulheres como eu. E você não sabe como vale a pena gostar de alguém e acordar na casa dessa pessoa e tomar suco de manga lendo notícias malucas no jornal como o cara que acha que é vampiro. Tudo sem vírgula mesmo e, nem por isso, desequilibrado ou antes da hora.
Você não sabe como isso é infinitamente melhor do que acordar com essa ressaca de coisas erradas e vazias. Ou sozinho e desesperado pra que algum amigo reafirme que o seu dia valerá a pena. Ou com alguma garotinha boba que vai namorar sua casca. A casca que você também odeia e usa justamente para testar as pessoas “quem gostar de mim não serve pra mim”.
E eu tenho vontade de segurar seu rosto e ordenar que você seja esperto e jamais me perca e seja feliz. E entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz. A gente dá muitas risadas juntos. A gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho. A gente acha que o mundo está maluco e sonha com a praia do Espelho e com sonos jamais despertados antes do meio-dia. A gente tem certeza de que nenhum perfume do mundo é melhor do que a nuca do outro no final do dia. A gente se reconheceu de longa data quando se viu pela primeira vez na vida.
E você me olha com essa carinha banal de “me espera só mais um pouquinho”. Querendo me congelar
enquanto você confere pela centésima vez se não tem mesmo nenhuma mulher melhor do que eu. E sempre volta.
Volta porque pode até ter uma coxa mais dura. Pode até ter uma conta bancária mais recheada. Pode até ter alguma descolada que te deixe instigado. Mas não tem nenhuma melhor do que eu. Não tem.
Porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você encontra forças. E, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco de chão. E, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. E, quando está longe de casa gosta de ouvir minha voz pra se sentir perto de você. E, quando pensa em alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais safado, é em mim que você pensa. Eu sei de tudo. E eu passei os últimos anos escrevendo sobre como você era especial e como eu te amava e isso e aquilo. Mas chega disso.
Caiu finalmente a minha ficha do quanto você é, tão e somente, um cara burro. E do quanto você jamais vai encontrar uma mulher que nem eu nesses lugares deprê em que procura. E do quanto a sua felicidade sem mim deve ser pouca pra você viver reafirmando o quanto é feliz sem mim e principalmente viver reafirmando isso pra mim. Sabe o quê? Eu vou para a cama todo dia com 5 livros e uma saudade imensa de você. Ao invés de estar por aí caçando qualquer mala na rua pra te esquecer ou para me esquecer. Porque eu me banco sozinha e eu me banco com um coração. E não me sinto fraca ou boba ou perdendo meu tempo por causa disso. E eu malho todo dia igual a essas suas amiguinhas de quem você tanto gosta, mas tenho algo que certamente você não encontra nelas: assunto.
Bastante assunto.
Eu não faço desfile de moda todos os segundos do meu dia porque me acho bonita sem precisar de chapinha, salto alto e peito de pomba.
Eu tenho pena das mulheres que correm o tempo todo atrás de se tornarem a melhor fruta de uma feira. Pra depois serem apalpadas e terem seus bagaços cuspidos.
Também sou convidada para essas festinhas com gente “wanna be” que você adora. Mas eu já sou alguém e não preciso mais querer ser. E eu, finalmente, deixei de ter pena de mim por estar sem você e passei a ter pena de você por estar sem mim. Coitado.

 (Tati Bernardi)






Com uma imensa e dilacerante dor na alma.
Não que eu nunca tenha tido uma dor na alma.
É que agora, por algum motivo, parece doer mais.
As pessoas mais importantes da minha vida já perceberam que preciso ir embora, e eu continuo e insisto em ficar, em algo que só existe em minha cabeça.

(Fernanda Borba)