Sabe do que eu gosto?
O que me faz querer viver de verdade?
O que me faz querer viver de verdade?
Eu gosto de viver a vida assim,
em uma corda bamba emocional.
Gosto de sentir que estou morrendo, sendo destroçada, aniquilada, despedaçada por algo e um minuto depois sentir que estou viva por causa desta mesma coisa.
Gosto das coisas mal definidas, mal resolvidas, questionáveis e até um tanto desequilibradas.
Gosto do que tenta ser algo sólido e definido e acaba estendido, sem graça e sem jeito em um canto qualquer, no chão de uma sala vazia.
Gosto das pessoas que representam um mistério prá mim, aliás, acho que complico meu próprio convívio com algumas pessoas só para que elas representem um mistério pra mim.
A vida deste jeito tem cor, tem luz.
Gosto deste redemoinho de sentimentos contraditórios, é o que faz eu sentir que ainda estou viva.
Gosto deste redemoinho de sentimentos contraditórios, é o que faz eu sentir que ainda estou viva.
Se eu sou louca? Quem vai saber?
No fim das contas todo mundo arruma seu próprio jeito de fazer com que haja alguma intensidade na vida.
No fim das contas todo mundo arruma seu próprio jeito de fazer com que haja alguma intensidade na vida.
Quero que tudo seja por um fio, quero sentir cada gota de alegria, de angústia, de ilusão, sofrimento, quero sentir cada gargalhada desesperada e cada ataque de desilusão.
Eu às vezes morro, ou pelo menos quase isso, e depois volto, como se nada tivesse acontecido.
Às vezes faço drama por cinco horas diretas, acreditando mesmo em tudo aquilo, e um minuto depois nem lembro. Do que mesmo eu estava falando?
Às vezes me apaixono, aliás, me apaixono quase todos os dias. Às vezes pela mesma pessoa de sempre, às vezes por outra totalmente fora do contexto.
E quase sempre, mas quase sempre mesmo, invento uma história linda de amor impossível. Impossível porque eu determino que é impossível.
E então sonho, e invento, e fantasio, e acho um motivo para viver, e me inspiro, e escrevo, e escrevo, e escrevo.
Um dia, quem sabe, eu entendo o sentido de tudo isso.
Han? Terapia? Que isso, pra que?
A verdade é que preciso deste desequilíbrio ainda.
(Fernanda Borba)

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